Léa Ferro ~ Arpoador: Contos e Poesias
"A noite é o silêncio que cala o olhar dos amantes!" Léa Ferro 1994
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Olhos do querer: Em seis atos.
Genre:  Literature & Fiction
Author: Léa Ferro  


1 - Cetim:

As sombras intimidam-se diante a força do sol
Permitindo raios sobre as águas verdes
De olhar estendido sobre a face que ensaia sorrisos
Ela vê uma canção que se aproxima
E uma canoa que abriga dias e noites de sensações.

Perdida diante as palavras novas
Ela apenas observa o embalar das ondas
E a canoa que ao longe desliza nos sonhos
Em clarão de luar, a canoa regressa mansamente
Como quem ameaça lançar as âncoras em novo cais.

De mãos espalmadas, recebe a corda que a atraca
Sorrindo num silêncio que ofusca a luz, canta versos
E ameaça afundar o baú dos tempos velhos e náufragos...
As manhãs se iniciam, as noites lhe chegam, as madrugadas se apressam
...O entardecer vem em tons de lilás sob a voz macia.

Léa Ferro. 11-04-2008.




2 - Canto da sereia:

Ela mora no mar e se veste de céu azul anil
Ela brinca com as conchas, ela baila na areia
Ela encanta ao dançar num sorriso gentil
Trazendo a paz no seu doce canto de sereia.

Ela mora no mar e carrega estrelas na mão
Em cada palmo das águas ela reina em luar
Morena menina dos olhos da paixão
Desliza faceira abraçando as ondas do mar.

Ela mora no mar da saudade navegante
Quando canta traz o sol ao olhar da emoção
Faz-se vivo o canto da sereia embriagante
Ela mora no mar, e no mar, do meu coração.

Léa Ferro. 11-04-2008.



3 - Olhos do querer:

Em teus olhos de cristais,
Moram olhos do querer
Tons de azul ou de lilás,
São olhos de quem sabe ler
Quando negros, quero mais
Sentir os olhos em meu ser
Cantam versos dos teus (tão meus) ais
Os olhos do meu bem querer.

Léa Ferro. 11-04-2008.



4 - Solidão:

A sala escura não desvenda segredos
Não conta as palavras guardadas na memória
Nem resguarda a penumbra dos pensamentos.

A sala se move diante os olhos cansados
A sala escura gira-gira e o som se agita
E os olhos dela se fazem presentes, enfim.

O som que chega é de uma voz equivocada
E fere o silêncio talhado em nanquim
A sala desenha os sonhos preservados na relva da noite.


A sala escura abriga o relógio das horas passadas
Remete os movimentos aos confins do Egeu
E grita num salto arrancado da garganta a solidão em mim.

Léa Ferro. 11-04-2008.



5 - Doce mar em mim:

Doce mar salgado
Mar desgarrado e preso em meus olhos
Amor maior em mim... Que o mundo.

Doce mar me acalma... E me agita
Amor maior das mãos em meu peito árduo
Doce mar que me anima e mora em mim.

Verde mar onde caminho
Onde aprendi a caminhar: - chorando e rindo.
Mar, meu mar sagrado que me escreve.

Mar líqüido que em mim é sólido
É rocha, é força, é terra, é guerra e é paz
Transparente, louco e infinito, me refaz.

Doce mar salgado
Que em mim é santuário, deus, império, fé, por fim
É o amor maior em mim... Que a vida.

Léa Ferro. 12-04-2008.



6 - Uma canoa:

Uma canoa tem mais anos do que eu
Não teme a correnteza,
Enfrenta a arrebentação,
Sobressai às tempestades,
Resiste ao sol.

Uma canoa vestida de azul
Mora em meu quintal
Uma canoa amada e armada de luz
Conta a minha história
E em mar calmo, me seduz.

Léa Ferro. 12-04-2008.
Léa Ferro
Enviado por Léa Ferro em 22/04/2008
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"A mais que a lua seja bela / serás sempre a bela lua!"
Léa Ferro 1994
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